Faça assim:
fica com essa eu pra você,
que eu faço outra eu pra mim.
Hoje eu acordei o dia.
Amanheci
necessitada de simplicidade.
Eu,
que ainda tão moça,
já tenho
desdém ao tempo,
digerido aos poucos
pelo querer demais,
que era ácido
e agora é suave,
(suspiro)
é festejo febril,
-um princípio de cura
em forma de lucidez.
Entristeço pra dentro,
mas a distância me manterá infinita
a cada dia.
Anda, amor,
Guarda aquela eu pra você,
que eu já fiz outra eu pra mim.
O verso acalma o peito
Que chora o amor desfeito
Da moça que esconde o pranto
Do triste desencanto
Eis-me aqui, pois, sufocada
De alegria abandonada
Inspiração que era outro dia
Virei dor em poesia
Esse abandonar singelo
Fez ruir nosso castelo
Que era sol e eternidade
Agora é areia e saudade.
Gosto de silêncio. Mas ainda não aprendi a lidar com o teu.
Quando for embora, deixa comigo alguma coisa de você.
Se for pra ir, deixa nem que seja a sua teimosia.
Aceito até aquelas promessas que você nunca cumpriu.
Deixa comigo ou pede pra alguém perguntar como foi o meu dia.
Se não puder deixar, manda pra mim a sua lembrança.
Manda, nem que seja pra eu não esquecer.
Mas manda.
Porque se aí a festa é boa, aqui é sempre pela metade.
Eu fico querendo escrever bem bonito pra ele, enquanto vejo o nosso amor crescer nos dois corações que ele escolheu pra florescer. Cresce lindo e vai afundando as raízes na terra adubada com ternura e felicidade. Lembro de quando ainda era semente, nossa pequena árvore. Hoje já dá flores no meio de seus galhos entrelaçados. Precisa ver que lindas são. Precisa ver o cheiro delas. Amor. Amor é o nome dela.
Pra dizer que te amo e que o dia nasceu lindo com você.
Felicidade é desembrulhar um amor novinho em folha
Ele cerveja, ela coca cola
Ele pontual, ela demora
Ele dança, ela tenta
Ele toca, ela canta
Ele forte, ela do bem
Ele ama, ela também.
É assim: um amor vai curando o outro e a poesia volta pra ver como ficou.
De todos os quereres,
o nosso é o mais delicado.
Urgente, agudo, tinto,
feito à mão com cuidado.
Nasceu torto, mas segue
insolente e empinado
Não vamos confundir febre com amor.
A cada ternura, o alívio de sermos sempre novos
e atentos, como quem sabe o inverno que vem.
Quero nós dois todo o tempo,
prendendo o dia na boca
e a noite entre as pernas.
Eu tô aqui pra você ser em mim.
Ser você, em mim.
Falo desta sobreposição de encantos, que é você,
deste coração feito de bilhetes, que é o meu
e toda a minha parte que te cabe, verso a verso.
Amor é quando nascem cerejas num pé de jabuticaba.
Enquanto murmurarmos
cada breve respiração,
ser tão sua quanto eu puder ser.
Na graça imensa da manhã,
ter sempre um beijo em seus braços meus.
E na febre invertida do adeus
(que nunca se fez)
ver teu coração aplaudindo até desalinhar.
Sempre tão mesmo, o amor.
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